9 de agosto de 2018

Financiamento estudantil vale a pena?

Financiamento estudantil vale a pena?

A porcentagem de brasileiros que possuem o nível superior não chega nem a 20%, segundo dados do IBGE. E o motivo, muitas vezes, é a falta de dinheiro para arcar com os custos de uma faculdade. Portanto, nessa hora, o financiamento estudantil pode ser um grande aliado.

Essa modalidade de crédito, que você vai conhecer melhor neste artigo, pode tornar o sonho do nível superior mais próximo. Assim como a casa própria, o carro do ano ou outros bens, a faculdade pode ser financiada, pelo governo ou por instituições financeiras privadas.

Mas, será que vale a pena fazer um financiamento estudantil? A dúvida é muito comum entre os que cogitam ingressar na faculdade por esse meio. A resposta, porém, vai depender de vários fatores. É o que veremos a seguir.

O que é financiamento estudantil

O financiamento estudantil é um recurso para facilitar a entrada no ensino superior. É oferecido por programa do governo federal ou por instituições financeiras privadas. Porém, cada instituição pode ter suas regras e tarifas.

Esse tipo de financiamento é ideal para quem não tem condição financeira de arcar com o valor integral da mensalidade todos os meses. Por isso, é uma forma de facilitar o pagamento, por meio de juros mais baixos e prazo maior.

Financiamento estudantil pelo Fies

O Fundo de Financiamento Estudantil, conhecido como Fies, é um financiamento público. Consiste em um programa do Ministério da Educação (MEC), instituído pela Lei nº 10.260, de 12 de julho de 2001.

Esse financiamento é concedido a estudantes em cursos não gratuitos, em instituições de educação superior aderentes ao programa.

O Fies possibilita juros zero e uma escala de financiamento que varia conforme a renda familiar do candidato. São duas modalidades:

1) Estudantes com renda per capita mensal familiar de até três salários mínimos – Nessa modalidade, são oferecidas vagas com juros zero. O estudante começa a pagar as prestações respeitando o seu limite de renda, fazendo com que os encargos a serem pagos diminuam consideravelmente.

Durante o curso, o estudante paga mensalmente o valor da coparticipação, que corresponde a parcela dos encargos educacionais não financiada, diretamente ao agente financeiro.

Depois da conclusão do curso, deverá ser paga a amortização do saldo devedor do financiamento de acordo com a realidade financeira do estudante. Ou seja, a parcela da amortização será variável de acordo com a renda.

Se o estudante não tiver renda, será feito apenas o pagamento mínimo.

2) Estudantes com renda per capita mensal familiar de até cinco salários mínimos – Chamada de P-Fies, essa modalidade funciona com recursos dos Fundos Constitucionais e de Desenvolvimento e ainda, com os recursos dos Bancos privados participantes.

Nesse caso, as condições de concessão do financiamento ao estudante serão definidas entre o agente financeiro operador do crédito (banco), a instituição de ensino superior e o estudante.

No entanto, o Fies sofreu algumas mudanças recentemente, e é importante conhecer em detalhes todas as regras para participar. Nesse link você pode conferir questões gerais sobre o novo programa, incluindo quem pode participar e as modalidades associadas a cada público.

Financiamento estudantil privado

O financiamento estudantil privado funciona como um empréstimo pessoal, com a finalidade de facilitar o ingresso na graduação.

Assim, o estudante contrata o financiamento, recebe o dinheiro para pagar a faculdade e depois precisa devolver o valor emprestado. Assim como no empréstimo, são aplicados juros e correção monetária.

Em relação ao Fies, o financiamento privado tem um prazo menor para pagamento da dívida. Além disso, não há limite máximo de renda familiar do estudante e não exige a participação no Enem.

É possível financiar até 100% do curso, mas normalmente precisa ser em faculdades conveniadas à instituição financeira.

Há diversas financeiras e bancos que oferecem essa modalidade. Em geral, o estudante faz uma contratação semestral. Cada semestre do curso pode ser pago em até um ano.

No caso de quem financia 100% de um curso de quatro anos, por exemplo, o prazo para quitar o financiamento será de oito anos.

Para participar, o candidato passa por etapas de simulação, análise da proposta, aprovação, envio de documentos e efetivação da matrícula.

Vale a pena fazer um financiamento estudantil?

Muitos fatores influenciam na resposta à pergunta acima. Vai depender da sua realidade financeira, sua renda atual e no futuro, da situação da sua família, além de outros quesitos.

A melhor recomendação é avaliar caso a caso. Mas, em geral, se você não tem condições financeiras de pagar uma faculdade, a dica é tentar as universidades e programas públicos do governo.

E se o sonho da graduação depender de um financiamento estudantil, não será o fim do mundo. A seguir, colocamos em ordem as possibilidades mais indicadas para ingressar no nível superior. Vale seguir essa ordem e ir eliminando, até chegar no financiamento estudantil privado.

– Sisu: quem faz o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) depois pode se inscrever no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). O programa oferece vagas gratuitas em universidades públicas.

– ProUni: participando do Enem, também é possível se inscrever no Programa Universidade para Todos (ProUni). As bolsas de estudo são parciais e integrais, em faculdades privadas. Assim, a renda do estudante é um dos critérios para aprovação.

– Fies: caso não consiga se enquadrar no Sisu e no ProUni, você pode tentar o programa de financiamento estudantil do Governo Federal. Assim, você garante juros zero e maior prazo para pagar. Mas aqui também há requisitos de renda e desempenho no Enem.

– Bolsas de estudo: muitas faculdades realizam duas vezes por ano seus vestibulares para conceder bolsas parciais e integrais. Mas isso depende do desempenho do estudante na prova, e pode garantir mensalidades mais baixas ou a custo zero.

– Financiamento estudantil privado: no caso de se esgotarem todas as possibilidades acima, o financiamento estudantil privado pode ser a solução para facilitar seus estudos na faculdade. Porém, como o contrato é semestral, avalie se é necessário financiar o curso inteiro ou apenas uma parte, até você conseguir pagar integralmente as parcelas.

Equipe Eduardo Moreira

Eduardo Moreira

Eleito um dos três melhores economistas do Brasil pela Revista Investidor Institucional, Eduardo Moreira foi apontado pela Universidade da Califórnia como o melhor aluno do Curso de Economia nos últimos 15 anos. Autor de diversos best-sellers, Eduardo foi o primeiro brasileiro a ser condecorado pela rainha Elizabeth II no Castelo de Windsor, em junho de 2012.

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